A vitória de ontem contra o Operário - PR deu certo alívio aos gremistas, primeiramente pelos 3 pontos conquistados e a manutenção nas primeiras posições da tabela, mas também por ver ressurgir uma esperança da torcida nas posições de ataque: falo de Elias Manoel.
Elias vinha entrando numa decrescente nos últimos jogos, assim como o restante dos atacantes gremistas, excetuando - se aí Diego Souza, que cumpriu sua missão diante do Guarani. A entrada de Elias ontem desafogou o ataque gremista, preocupou a defesa adversária e por consequência gerou os espaços que não conseguíamos atacar. Elias foi oportunista como ainda não tinha sido nessa Série B, entrou rasgando a diagonal em direção a pequena área para completar ótima assistência de Biel. Belo gol, que deu a segurança ao time de não precisar de expor demais o tempo inteiro como foi contra a Chapecoense.
Bom, dito isso, passo a tratar aqui de algumas observações acerca dos nossos pontas. Nosso meio campo não é criativo, não temos grandes lançadores e nem um grande infiltrador de áreas. Então, a responsabilidade de alimentar o centroavante recai sobre nossos pontas, os jogadores teoricamente mais agudos do time. Quando estes não encontram soluções, Nicolas vinha salvando com seus cruzamentos, mas por ser um defensor, não vai ser sempre que ele vai conseguir avançar a ponto de ter condições de efetuar assistências. Por isso, Roger precisa realmente pensar muito bem em suas escolhas para essa faixa do campo.
Comecemos por Campaz: o colombiano tem jogado espetado na direita, buscando trazer a bola para o centro por ser canhoto. Os laterais direitos não são ofensivos, não buscam a linha de fundo (Rodrigo Ferreira foi uma vez ontem, e Villasanti também foi uma). Logo, a movimentação de Campaz não tem ajudado o Grêmio a abrir espaços, pois ao fechar para o meio, o time fica sem opções de jogadas pelo flanco direito. Além disso, sua característica não é de velocidade...então, acredito eu, Campaz é inútil naquela faixa de campo. Campaz é um enganche, joga pelo centro, gosta de toques curtos e objetivos, e é ali que deve ter chances. Mas no esquema atual, não há esse lugar pra ele no campo. Então, o óbvio é deixá-lo no banco para utilizar no segundo tempo, quando precisarmos de um meia pelo centro.
Agora, Ferreira: tem capacidade de recomposição muito boa, ajuda a defesa, tem velocidade, tem drible curto. Mas não encaixou nessa formação atual. Ferreira é muito individualista e carrega a bola sempre pro meio pra chutar com a perna direita (mesma coisa do Campaz só que no lado esquerdo). Ou seja, também centraliza demais o jogo. É bem verdade que isso pode gerar espaços para Nicolas ultrapassar pela esquerda, mas isso não tem ocorrido porque os adversários botam sempre uma sobra em Ferreira. Isso congestiona aquela faixa de campo e tira espaço pro Bitello também jogar. E como dito, Ferreira joga muito pra ele, não tem o hábito de servir os companheiros, e isso torna os ataques muito óbvios e facilmente marcáveis.
Biel: precisa rapidamente aprender a recompor na defesa, pois contra o Guarani era ele quem dava espaços o tempo todo pro lateral campineiro (teve comentarista que colocou a culpa no Campaz, que nem estava naquela faixa do campo). Tem velocidade, drible e coragem pra ir pra cima dos zagueiros. Além disso, Gabriel "abre" o campo. Joga bem aberto, espaçando as defesas, e isso gera espaço para infiltrações na diagonal. É interessante pro nosso modelo...e tem mostrado uma característica que os demais concorrentes da posição não tem: ele procura sempre companheiros em melhor situação pra finalizar, não é fominha. Isso já gerou 2 assistências em 2 jogos. Legal. Se melhorar a recomposição, pode ser titular.
Elias: execrado por parte da torcida por ter perdido alguns gols fáceis, estava nitidamente sem confiança. Esse jogador tem valências e dificuldades diferentes dos demais concorrentes. É forte, é rápido, chuta forte, recompõe bem. Também é um "alargador" de campo, joga bem aberto e entra na área em diagonal, como fez no gol de ontem. Mas não é habilidoso com a bola no pé e toma decisões erradas por não ter tranquilidade nos momentos de definição. Porém, vejo nele algo que não vejo nos outros: se coloca bem. A bola procura Elias no ponto final, porém nem sempre ele faz os gols. Acho que por isso vieram tantas críticas. Quantos gols feitos Ferreira perdeu? Nenhum. Porque nunca está no "fedor", nunca pega uma sobra. Elias tá sempre nessas bolas. Numas dá de canela e perde o gol. Noutras pensa demais e perde tempo e em outras chuta em cima do goleiro. Mas já pensaram o que ele pode fazer de gol se tiver confiança e naturalidade? Na minha opinião tem que ganhar moral da torcida e do técnico pra se sentir à vontade e deslanchar. E isso virá se for colocado como titular.
Janderson: não há muito o que falar. Muita transpiração, recompõe muito bem, tem velocidade para incomodar as defesas. Mas não pensa o jogo. E isso atrapalha demais um time que precisa criar. Pra mim é um reserva do mesmo nível dos meninos da base como Vini Paulista ou Wesley.
Em linhas finais, se o Grêmio quiser ter sucesso contra seus adversários fechadinhos, a solução é dar AMPLITUDE ao time. E como vimos, nessa relação há apenas 2 atletas que fazem isso. Aposte neles, Roger!!!










